Category Davi

Implicações escatológicas da Aliança Davídica

Para quem perdeu nossa introdução acerca da Aliança Davídica, recomendo a leitura desse post. Por conta do cumprimento literal de certos fatos apresentados na aliança acerca do futuro de Israel, temos alguns marcos que podem nos sinalizar coisas importantes nos dias atuais.

Vou abordar alguns aspectos literais que devem ser cumpridos.

Israel deve ser preservado como nação

Peters no livro Theocratic Kingdom, descreve:

O trono e o reino prometidos em aliança a Davi, ligados como estão a nação judaica… necessariamente requerem… a preservação da nação. Isso deve ser feito; e hoje vemos essa nação maravilhosamente preservada até o presente, apesar de os inimigos, mesmo as nações mais fortes e os impérios mais poderosos, terem perecido. Isso não ocorre por acaso; pois se nossa posição estiver correta, isso é algo absolutamente necessário, visto que sem a restauração da nação é impossível restaurar o reino de Davi.

A linguagem da aliança, o juramento de Deus, a confirmação da promessa pelo sangue de Jesus, os pronunciamentos proféticos – tudo, apesar da descrença da nação, requer sua perpetuação, para que por meio dela as promessas e a fidelidade de Deus sejam vindicadas. Deus assim cuida para que Sua Palavra seja cumprida. Se pensarmos no assunto, todo judeu que encontrarmos na rua é evidência viva de que Messias algum dia ainda reinará gloriosamente no trono de Davi, e de estenderá um domínio global.

Israel deve ser trazida de volta à terra da sua herança

Já que o reino de Davi tinha fronteiras geográficas definidas e essas fronteiras foram estabelecidas como característica da promessa a Davi a respeito do reinado de seu filho, a terra deve ser dada a essa nação como local de sua pátria nacional.

O filho de Davi deve voltar a terra

O filho de Davi, o Senhor Jesus Cristo, deve voltar à terra, de forma corporal e literal, para reinar sobre o reino prometido de Davi. A alegação de que Cristo está sentado ao lado do Pai, reinando num reino espiritual, a Igreja, simplesmente não cumpre as promessas da aliança.

Um reino terreno literal deve ser constituído

Um reino como nação mesmo deve ser constituído para que o Messias retorne e reine nele. Peters continua em seu livro:

O cumprimento das promessas da aliança implica, em vista do trono e do reino restaurado de Davi, que o reino messiânico é um reino visível e externo, não simplesmente espiritual, apesar de conter aspectos espirituais e divinos. Sua visibilidade e correspondente reconhecimento são uma característica inseparável da linguagem da promessa.

Deve ser um reino eterno

Esse reino deve se tornar um reino eterno. Já que trono, casa e reino são todos prometidos a Davi para toda a eternidade, não haverá fim do reino do Messias sobre o reino de Davi a partir do trono de Davi.

Por conta desses aspectos é evidente que a aliança davídica é de suma importância para os acontecimentos futuros.

No próximo post vamos fazer uma introdução acerca da última aliança com Israel, a Nova Aliança.

Aliança davídica

As implicações escatológicas da aliança abraâmica baseiam-se nas palavras terra e descendência. As promessas sobre a terra foram ampliadas e confirmadas pela aliança palestina. Na grande aliança seguinte de Israel, feita com Davi, Deus amplia e confirma as promessas referentes à descendência abraâmica. 

Quando a sua vida chegar ao fim e você descansar com os seus antepassados, escolherei um dos seus filhos para sucedê-lo, um fruto do seu próprio corpo, e eu estabelecerei o reino dele. – 2Sm 7:12

Tu disseste: “Fiz aliança com o meu escolhido, jurei ao meu servo Davi:
Estabelecerei a tua linhagem para sempre e firmarei o teu trono por todas as gerações”. Pausa – Sl 89:3,4

Farei os descendentes do meu servo Davi e os levitas, que me servem, tão numerosos como as estrelas do céu e incontáveis como a areia das praias do mar’
Assim diz o Senhor: ‘Se a minha aliança com o dia e com a noite não mais vigorasse, se eu não tivesse estabelecido as leis fixas do céu e da terra,
então eu rejeitaria os descendentes de Jacó e do meu servo Davi, e não escolheria um dos seus descendentes para que governasse os descendentes de Abraão, de Isaque e de Jacó. Mas eu restaurarei a sorte deles e lhes manifestarei a minha compaixão’ “. – Jr 33: 22,25,26

A promessa da descendência presente na aliança Abraâmica agora está no centro da aliança davídica e aqui são ampliadas.

Sua importância 

Inerentes a aliança de Deus com Davi temos várias perguntas escatológicas importantes.

  • Haverá um milênio literal?
  • A igreja é o reino?
  • Que é reino de Deus?
  • A nação de Israel será reunida e reiterada sob o Messias?
  • O reino é presente ou futuro?

São muitas perguntas que podem ser respondidas se interpretarmos de forma correta a aliança davídica.

Disposições da aliança 

A promessa feita por Deus a Davi é apresentada em 2Samuel 7.12-16, onde lemos:

Quando a sua vida chegar ao fim e você descansar com os seus antepassados, escolherei um dos seus filhos para sucedê-lo, um fruto do seu próprio corpo, e eu estabelecerei o reino dele.

Será ele quem construirá um templo em honra do meu nome, e eu firmarei o trono dele para sempre.

Eu serei seu pai, e ele será meu filho. Quando ele cometer algum erro, eu o punirei com o castigo dos homens, com açoites aplicados por homens.

Mas nunca retirarei dele o meu amor, como retirei de Saul, a quem tirei do seu caminho.

Quanto a você, sua dinastia e seu reino permanecerão para sempre diante de mim; o seu trono será estabelecido para sempre”.

Os antecedentes históricos da aliança davídica são bem conhecidos. Visto que Davi subiu ao poder e à autoridade no reino e agora morava numa casa de cedro, parecia incoerente que Aquele de quem ele obtinha sua autoridade e seu governo ainda residisse numa casa feita de peles.

O propósito de Davi era construir uma morada adequada para Deus. Pelo fato de ter sido homem de guerra, Davi não pôde terminar a tarefa. A responsabilidade foi deixada para Salomão, o príncipe da paz. No entanto, Deus faz certas promessas a Davi como relação à perpetuidade da sua casa.

  1. Davi terá um filho, ainda por nascer, que sucederá e estabelecerá seu reino.
  2. Esse filho (Salomão) construirá o tempo em lugar de Davi.
  3. O trono do seu reino será estabelecido para sempre. 
  4. O trono não será tomado dele (Salomão) apesar de seus pecados justificarem castigo. 
  5. A casa, o trono e o reino de Davi serão firmados para sempre.

Aqui cabe algumas explicações interessantes dada por Walvoord no livro Millenial.

Com “casa” de Davi, sem dúvida faz-se referência à posteridade davídica, seus descendentes físicos. É certo que jamais serão mortos in toto ou substituídos completamente por outra família.

Com “troco” é evidente que não se quer indicar um trono material, mas a dignidade e o poder que eram soberanos e supremos em Davi como rei. O direito de reinar sempre pertenceu à descendência de Davi.

O termo “reino” refere-se ao reino político de Davi sobre Israel. 

A expressão “para sempre” significa que a autoridade de Davi e o reino ou governo de Davi sobre Israel jamais serão tomados da posteridade davídica. O direito de governa jamais será transferido a outra família, e esse acordo foi planejado para durar eternamente.

Existe um debate acerca dessa aliança, alguns estudiosos, principalmente os que não acreditam no millennium, acham que ela já tenha sido cumprida por Salomão. Vamos tentar levantar alguns desses pontos no próximo post.