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O caráter incondicional da Aliança Abraâmica

Como a aliança Abraâmica trata da posse da Palestina por Israel, de sua continuidade como nação para possuir essa terra e de sua redenção a fim de que possa gozar a benção na terra sob seu rei, é de grande importância descobrir o método de cumprimento dessa aliança.

Se é uma aliança literal a ser cumprida literalmente, então Israel deve ser preservado, convertido e restaurado. Se é uma aliança incondicional, esses acontecimentos na vida nacional de Israel são inevitáveis. 

Não resta dúvida que a aliança com Israel é uma aliança incondicional. Vamos examinar o livro de John F Walvoord em Millennial:

“Como apresentado nas Escrituras, a aliança Abraâmica dependia de uma única condição. Está é apresentada em Gênesis 12.1… A aliança original baseava-se na obediência de Abraão em deixar sua terra natal e dirigir-se à terra prometida. Nenhuma revelação adicional lhe foi dada até que ele obedecesse a essa ordem após a morte de seu pai.

Na sua entrada em Canaã, o Senhor deu imediatamente a Abraão a promessa d posso definitiva da terra (Gn12.7), e depois ampliou e repetiu as promessas originais.

Satisfeita a condição única, nenhuma outra é exigida de Abraão, tendo sido solenemente estabelecida, a aliança depende agora da veracidade divida para o seu cumprimento.”

A questão da aliança ser condicional ou incondicional é reconhecida como ponto crucial de toda a discussão relacionada ao cumprimento da aliança. Vários argumentos dos defensores do pré-milenarismo vem sido apresentados para defender o caráter incondicional da aliança. Walvoord apresenta dez motivos para acreditar que a aliança seja incondicional. Vou citar apenas alguns prontos levantados no livro.

“Todas as alianças de Israel são incondicionais, com exceção da mosaica. Com relação a condição original de abandonar sua terra natal e dirigir-se à terra prometida, a aliança é firmada sem condições. 

O Novo Testamento declara a aliança Abraâmica imutável Hb6.13-18. Ela não foi apenas prometida, mas solenemente confirmada pelo juramento de Deus.”

Vamos explicar um pouco os acontecimentos de Genesis 15, dada sua importância na questão do caráter incondicional dessa aliança. Em Genesis 14 porque confiava em Deus, Abraão recusou-se a tomar para si as riquezas do rei de Sodoma. Para que não surgisse na mente de Abraão dúvida alguma sobre ter cometido um erro ao confiar em Deus, Abraão recebe de Deus a garantia de que Ele é a sua proteção (escudo) e provisão (recompensa) Gn15.1. 

Em resposta a pergunta de Abraão sobre o herdeiro prometido, Deus afirma que ele terá um filho, e “Abraão creu no Senhor” Gn15.6. Em reposta à fé de Abraão como evidência real de que ele não havia confiado em Deus em vão, é dado um sinal de que a promessa será cumprida Gn15.9-17. A fim de reafirmar a Abraão a aliança a respeito de sua semente e terra Gn15.18, Deus ordena que Abraão prepare animais de sacrifício para que entrem numa aliança de sangue. 

As promessas da aliança abraâmica

A aliança firmada com Abraão em Gênesis 12.1-3 e confirmada e ampliada em Gênesis 12.6,7; 13.14-17; 15.1-21; 17.1-14; 22.15-18 envolvia certas promessas básicas. Elas foram assim resumidas por PETERS EM THE THEOCRATIC KINGDOM:

As coisas prometidas por Deus são as seguintes:

  1. O nome de Abraão será grande.
  2. Uma grande nação dele se originará.
  3. Abraão será uma benção tão grande que nele todas as famílias da terra serão abençoadas.
  4. A Abraão pessoalmente (“a ti”) e à semente dele será dada a Palestina.  como herança para sempre.
  5. A multidão da semente abraâmica será como o pó da terra. 
  6. Quem o abençoar será abençoado, e quem o amaldiçoar será amaldiçoado.
  7. Abraão será o pai de muitas nações.
  8. Reis viriam a partir dele.
  9. A aliança será perpétua , “uma aliança eterna”. 
  10. A terra de Canaã será uma “possessão eterna”. 
  11. Deus será Deus seu e sua semente.
  12. Sua semente possuirá a porta de seus inimigos . 
  13. Em sua semente todas as nações serão abençoadas.

Nos podemos observar vários aspectos da promessa feita a Abraão. Certas promessas foram feitas para o indivíduo Abraão, certas promessas foram nacionais com respeito à nação de Israel, da qual ele era pai, e certas bençãos universais que incluíam todas as nações. Essas promessas foram assim descritas por John F Walvoord em Millennial:

A linguagem da aliança abraâmica é simples e direta. A aliança original é dada em Gênesis 12.1-3, e existem três confirmações e ampliações como as registradas em Gênesis 13.14-17; 15.1-7 e 17.1-18. Algumas das promessas dadas pessoalmente a Abraão e algumas aos gentios ou a “todas as famílias da terra”.

Abençoarei os que o abençoarem, e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem; e por meio de você todos os povos da terra serão abençoados”.

Gênesis 12:3

A promessa para Abraão: É prometido ao próprio Abraão que ele seria o pai de uma grande nação (Gn 12.2), incluindo reis e nações alem da “própria semente” (Gn 17.6). Deus promete uma benção pessoal a Abraão. Seu nome será grande e ele mesmo será uma benção.

A promessa a semente de Abraão: A própria nação deveria ser grande (Gn12.2) e incontável (Gn13.16;15.5). É prometida à nação a posse da terra, a aliança abraâmica é expressamente chamada de perpetua (Gn17.7) e a posse da terra é definida como “possessão perpétua” (Gn17.8).

A promessa para os gentios: é prometida a  “todas as famílias da terra” uma benção (Gn12.3). A benção não é especificada. Como uma promessa geral, ela talvez pretenda ter um cumprimento geral.

É importante entendermos para quem as promessas das alianças foram dadas. Porque se as coisas que forma a aliança em uma área forem transferidas para outra, o resultado será confusão na interpretação posterior. 

Promessa pessoais não podem ser transferidas para a nação de Israel e as promessas da nação não podem ser transferidas para os gentios.

A importância da aliança Abraâmica

A primeira das quatro grandes alianças feita por Deus com a nação de Israel foi a aliança Abraâmica, que é a base de todo o plano de alianças.

As escrituras possuem diversas passagens com referências à aliança que Deus fez com Abraão, e sua aplicação é visto de várias maneiras. Essa aliança tem importantes implicações para doutrinas ligadas às soteriologia.

Ao escrever aos galaras, Paulo mostra que os crentes tomam posse das bençãos prometidas a Abraão. O argumento de Paulo em Romanos é baseado na mesma promessa feita a Abraão.

Imediatamente após a queda do homem, Deus revelou Seu propósito de providenciar salvação aos pecadores. Esse plano foi sendo desdobrado gradativamente por Deus para o homem. A promessa feita a Abraão representa um passo nessa revelação.

Nele o propósito Divino torna-se mais específico, detalhado, focalizado, definitivo e certo. Específico por destingui-lo e separá-lo de outros membros da raça; detalhado por indicar mais particularidades conectadas ao propósito de salvação; focalizado por fazer o Messias vir mais diretamente em sua linhagem, ser sua “semente”; definitivo por entrar numa aliança com ele, como o seu Deus, e certo em confirmar seu relacionamento de aliança com um juramento.

The Theocratic Kingdom – Peters

A promessa vinculada à aliança é a base da refutação do Senhor contra a incredulidade dos caduceus no tocante à ressureição.

Naquele mesmo dia, os saduceus, que dizem que não há ressurreição, aproximaram-se dele com a seguinte questão:
“Mestre, Moisés disse que se um homem morrer sem deixar filhos, seu irmão deverá casar-se com a viúva e dar-lhe descendência.
Entre nós havia sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu. Como não teve filhos, deixou a mulher para seu irmão.
A mesma coisa aconteceu com o segundo, com o terceiro, até o sétimo.
Finalmente, depois de todos, morreu a mulher.
Pois bem, na ressurreição, de qual dos sete ela será esposa, visto que todos foram casados com ela? “
Jesus respondeu: “Vocês estão enganados porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus!
Na ressurreição, as pessoas não se casam nem são dadas em casamento; mas são como os anjos no céu.
E quanto à ressurreição dos mortos, vocês não leram o que Deus lhes disse:
‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó’? Ele não é Deus de mortos, mas de vivos! “

Mateus 22:23-32

Àqueles que recusam a possibilidade de ressureição o Senhor afirmou que a ressureição não era apenas possível, mas necessária. Desde que Deus se revelou como o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó (Ex 3:15), visto que as alianças não podiam ser quebradas, era necessário que Deus ressuscitasse esses homem para cumprir Sua palavra.

Paulo perante Agripa, une “a promessa aos pais” com a ressureição dos mortos em sua defesa da doutrina.

Agora, estou sendo julgado por causa da minha esperança no que Deus prometeu aos nossos antepassados.
Esta é a promessa que as nossas doze tribos esperam que se cumpra, cultuando a Deus com fervor, dia e noite. É por causa desta esperança, ó rei, que estou sendo acusado pelos judeus.
Por que os senhores acham impossível que Deus ressuscite os mortos?

Atos 26:6-8

Desse modo, o fato da ressureição física é provado pelo Senhor e por Paulo com base na necessidade importa a Deus de cumprir sua aliança, mesmo que ela requeira ressureição física. 

Essa é uma das alianças que tem maior importância para as doutrinas escatológicas. Os aspectos eternos dessa aliança, que garantem a Israel existência permanente, posse perpétua da terra prometida e certeza de bençãos espirituais e materiais por meio de Cristo, garantindo às nações gentias parte dessas bençãos, determinam todo o plano escatológico da palavra de Deus.

Essa aliança é a semente das demais alianças com Israel. As demais alianças são ampliações dessa aliança base.

No livro de William Lincoln ele faz uma comparação desta aliança com as demais, vamos dar uma olhada:

  • Abraão: Promessa de uma terra nacional. Gn 12:1, Gn13:14,15,17
  • Outras alianças: A aliança palestina deu a Israel garantia particular da restauração permanente e definitiva à terra. Dt 30:3-5, Ez 20:33-37,42-44.

  • Abraão: Promessa de redenção nacional e universal. Gn 12:3, Gn 22:18, Gl 3:16.
  • Outras alianças: Uma nova aliança está particularmente relacionada à bênção espiritual e à redenção de Israel. Jr 31.31-40, Hb 8.6-13.

  • Abraão: Promessa de numeroso descendentes que formariam uma grande nação. Gn 12.2, Gn13.16, Gn17.2-6.
  • Outras alianças: A Aliança davídica está relacionada a promessas de dinastia, nação e trono. 2Sm 7.11,13,16, Jr 33.20,21, Jr 31.35-37.

Dessa maneira podemos dizer que as promessas de terra da aliança Abraâmica são desenvolvidas na aliança palestina, as promessas de semente são desenvolvidas na aliança davídica e as promessas de bençãos são desenvolvidas na nova aliança. Esta, então, determina todo o futuro plano para a nação de Israel e é um fator muito importante no estudo da escatologia bíblica.