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Aliança bíblica

As alianças de Deus com os homens são o primeiro passo para entendermos o plano escatológico de Deus. 

As alianças bíblicas são diferentes das alianças teológicas. Vê-se as épocas da história como o desenvolvimento de uma aliança entre Deus e os pecadores, na qual Deus salvaria por meio da morte de Cristo, todos os que viessem a Ele pela fé. 

Em nossos estudos vou ocupar-me apenas com as alianças presentes nas Escrituras. Alianças teológicas da reforma não vão se escopo de abordagem. 

No livro de Lewis Sperry – Systematic Theology diz que a teologia de alianças é insatisfatória para explicar as Escrituras escatologicamente, pois despreza o grande campo de alianças bíblicas que determina todo o plano escatológico. 

O uso da palavra aliança

Você verá que a palavra aliança aparece com frequência tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. É usada em relacionamentos entre Deus e os homens, entre os homens e entre as nações. É usada para coisas temporais e coisas eternas. 

São feitas alianças entre outros indivíduos (Gn 21.32;1Sm 18.3), entre um indivíduo e um grupo de indivíduos (Gn 26.28; 1Sm 11.1,2) ou entre nações (Ex 23.32; 34.12,15; Os 12.1). Existiram alianças no meio social (Pv 2.17; Ml 2.14). Certas leis naturais eram vistas como alianças (Jr 33.20,25). Com exceção destas, que foram estabelecidas por Deus, todos os usos anteriores regulam relacionamentos feitos por homens.

As Escrituras também contêm cinco grandes alianças, todas feitas por Deus com relação aos homens. Lincoln resume:

As quatro alianças incodicionais, feitas com juramentos, são encontradas em 1) Gn 12.1-3, em que a fórmula é encontrada, expressa ou subentendidas sete vezes; 2) Dt 30.1-10, em que é encontrada, expressa ou entendida doze vezes; 3) 2Sm 7.10-16, em que é encontrada sete vezes e 4) Jr 31.31-40, em que é encontrada sete vezes. A aliança condicional, com a fórmula “se” é encontrada 5) em Ex 19.5 e também Dt 28.1-68, v1-14 “Se atentamente ouvires… bênçãos”; v 15.68 “Se não deres ouvidos… maldições”

Lincoln em The covenants

Nós aqui no blog não iremos estudas alianças menores feitas entre homens, nem a aliança mosaica feita por Deus com o homem, uma vez que todas são temporais e não determinantes com respeito as coisas futuras. Vamos estudar as 4 grandes alianças eternas dadas por Deus, pelas quais Ele se comprometeu com o plano profético.

Aliança divina

1) Uma disposição soberana de Deus, mediante a qual Ele estabelece um contrato incondicional ou declarativo com o homem, obrigando-se, em graça, por um juramento irrestrito, a conter, de Sua própria iniciativa, bênçãos definidas para aqueles com quem compactua ou 2) uma proposta de Deus, em que Ele promete, num contrato condicional e mútuo com o homem, segundo condições preestabelecidas, conceder bênçãos especiais ao homem desde que este cumpra perfeitamente certas condições, bem como executar punições precisas em caso de não cumprimento.

No dicionário escatológico nos temos a seguinte definição para aliança divina.

Devemos observar que essa definição não se afasta da definição e do emprego costumeiro da palavra como contrato legal, do qual o indivíduo toma parte e pelo qual seu comportamento é dirigido.

Tipos de aliança 

Existem dois tipos de aliança que Deus fez com Israel: condicional e incondicional. Numa aliança condicional o cumprimento do que foi acordado depende do receptor da aliança, não do outorgador da aliança. É uma aliança na qual está presente um “se”. A aliança mosaica, entre Deus e Israel, é uma dessas alianças.

Na aliança incondicional, o cumprimento do que foi acordado depende unicamente daquele que faz a aliança. O que foi prometido é sobejamente concedido ao receptor da aliança com base na autoridade e na integridade daquele que faz a aliança, à parte do mérito ou reposta do receptor. É uma aliança sem nenhum “se” vinculado a ela.

Vale lembrar que uma aliança mesmo sendo incondicional pode conter bençãos condicionadas à reação do receptor da aliança. Não observar que uma aliança incondicional pode ter certas bênçãos condicionais vinculadas tem conduzidos muitos à posição de que bênçãos condicionais obrigam uma aliança a ser condicional, pervertendo assim a essência natural das alianças determinativas de Israel.

Natureza das alianças 

Temos quatro fatos importantes a serem observador com relação a alianças firmadas por Deus.

1. Primeiramente, são alianças literais e devem ser interpretadas literalmente. Qualquer dia faço um artigo explicando sobre modos de interpretação da bíblia. 

Em todas as transações terrenas, quando se estabelece uma promessa, acordo ou contrato, em que parte faz uma promessa valiosa a outra parte, é de costume universal explicar tal relacionamento e suas promessas pelas bem conhecidas leis de linguagem contidas na nossa gramatica ou em nosso uso comum. Seria absurdo se fosse de outra maneira…

… a própria natureza da aliança exige que ela seja formulada e expressa tão claramente, que comunique um significado decisivo, e não um significado oculto ou místico que exija a passagem de centenas de anos para se desenvolver.

The Theocratic Kingdom

2. Em segundo lugar, de acordo com as Escrituras, essas alianças são eternas. 

Todas as alianças de Israel são chamadas eternas, com exceção da aliança mosaica, que é declarada temporal, deveria continuar até a vinda da Semente Prometida. Quanto a esse detalhe, observe o seguinte: 1) a alianças abraâmica é chamada “eterna” em Gn 17.7,13,19; 1Cr 16.17; Sl 105.10; 2) a aliança palestina é chamada  “eterna” em Ez 16.60; 3) a aliança davídica foi chamada “eterna” em 2Sm 23.5, Is 55.3 e Ez37.25 e 4) a nova aliança é chamada “eterna” em Is 24.5, 61.8, em Jr32.40, 50.5 e em Hebreus 13.20.

3. Em terceiro lugar, visto que essas alianças são literais, eternas e depende solenemente da integridade de Deus para o seu cumprimento, devem ser consideradas incondicionais em caráter. Mas iremos olhar isso mais pra frente.

4. Em quarto lugar, essas alianças foram estabelecidas com um povo pactual, Israel. Em Rm 9.4 Paulo declara que a nação de Israel tinha recebido alianças do Senhor. Em Ef 2.11,12 ele declara, contrariamente, que os gentios não haviam recebido tal aliança e consequentemente não gozavam de relacionamentos pactuais com Deus. Essas duas passagens mostram, de modo negativo, que os gentios não tinham relacionamentos de aliança e, de modo positivo, que Deus tinha firmado um relacionamento e aliança com Israel.

Agora que já entendemos um pouco a importância das alianças e como elas são apresentadas, vamos começar a estudar no próximo artigo a primeira das quatro grandes alianças determinativas feitas por Deus com a nação de Israel. A Aliança Abraâmica é considerada a base de todo o plano de alianças.

Viver de Cristo

Nosso objetivo nesse blog é divulgar estudos e conhecimentos acerca da palavra de Deus. Nesse nosso início estaremos mais focados em escatologia. A área que mais me atraí na palavra de Deus.

Tem um tempo que estava planejando a criação deste blog. Os compromissos profissionais sempre eram colocados como uma desculpa para não iniciar esse projeto. 

Eu sempre tive a idéia de que quando me aposentar iria dedicar profundamente a palavra do Senhor. Ocorre que de uns meses para cá o sentimento de iniciar imediatamente esse projeto começou a aumentar. 

Não diga ao seu vizinho que espere até amanhã, se você pode ajudá-lo hoje.

PV 3:28

Esse provérbio é o famoso dito popular de não deixe para amanhã o que se pode fazer hoje. Postergar ajuda é não ajudar. Não tem porque não compartilhar hoje isso que estou aprendendo.

Foi então que surgiu o Viver de Cristo. Esse não é a minha primeira iniciativa na internet, já possuo outros sites em outras áreas. Todo projeto que eu início eu sempre tenho em mente que existe um começo e um fim. Esse projeto do Viver de Cristo é o único que pretendo nunca finalizar. Isso porque meus estudos sobre a palavra do Senhor nunca irão se esgotar.

Escatologia

Escatologia é a ciência que se dedica ao estudo dos acontecimentos futuros. Nos vamos aqui no blog, baseado em textos bíblicos, traçar uma linha do plano de Deus. Falaremos lá do inicio até o fim do mundo como conhecemos hoje. 

A escatologia exige um julgamento refinado para discernir o que deve ser interpretado a letra em contraposição ao que deve ser interpretado de forma espiritual e alegórica. 

A coerência da revelação de Deus como um todo no Antigo e Novo Testamento deve ser mantidas. Terá momentos que veremos de forma clara o que certamente irá acontecer, outros o que será revelado e ainda alguns pontos que ainda ficam obscuros. Precisamos ter uma distinção cuidadosa na hora de tratar e entender cada um desses pontos. 

A escatologia é uma ciência que sofre muito nas mãos de interpretes, mesmo entre aqueles cuja a confiança na Palavra inspirada de Deus é inquestionável. Isso coloca uma responsabilidade muito grande sobre esse trabalho.

Todo o material aqui divulgado será fruto de pesquisa e estudos sobre o trabalho de teólogos e examinação profunda das escrituras. Falar de finanças, tecnologia, empreendedorismo é fácil pois você tem o direito de errar. Ao falar da palavra de Deus nós perdermos o direito ao erro.

Abordar toda a trajetória escatologia exigirá uma perseverança filadelfiana (AP 3-10), mas esses esforços serão recompensados, tanto na vida individual quanto na vida espiritual. Espero que você venha comigo nessa jornada.

Vocês têm obedecido à minha ordem para aguentar o sofrimento com paciência, e por isso eu os protegerei no tempo da aflição que virá sobre o mundo inteiro para pôr à prova os povos da terra.

Apocalipse 3:10